Super Little Acorns 3D Turbo, para Nintendo 3DS

Vou inaugurar aí no blog a parte de joguinhos, já que a proposta é resenhar não somente livros, mas também jogos, filmes, músicas e o que mais tiver por aí.

Bem, joguinho cretino lançado para o Nintendo 3DS (aquele "mini-game" que tem um esqueminha de 3D sem óculos), e acho que também lançado para mobile, ou coisa assim (não pesquisei, mas acho que sim).

Não é um jogo muito bom, mas dá pra jogar. São várias fases separadas e curtas, estilo "plataformas", em que você mexe um bichinho que parece um furão, um rato, ou sei lá o quê. Bem, na verdade está mais para castor, e ele fica coletando algo parecido com uma noz, as tais "acorns". Na verdade, acorn se traduz por "bolota", mas não sei se isso tem no Brasil e não sei exatamente o que é. Apenas imagine que é um castor coletando noz e fica tudo na mesma.

Por que esse jogo é cretino, afinal? Bem, a movimentação do bichinho não é muito boa, e aqui está o principal defeito do jogo. Ele se trata de fechar essas fases pegando todas as bolotinhas (seriam como as moedas do Mario, ou então os anéis do Sonic, com a diferença de que, aqui, eles não são opcionais e você tem que pegar tudo). A portinha no final da fase só se abre quando você pega todas as bolotinhas.

É um jogo bem bobinho, tanto no visual como na proposta. Só que ele se torna ruim à medida que a movimentação do nosso castor protagonista não é muito bem realizada. Ele desliza muito pelo chão, é como se ele andasse não com passos, mas sim sempre com a base arrastada no chão (como se fosse uma enceradeira, ou algo assim). Os pulos tem aquele estilo "mola", ele fica pingando pra lá e pra cá, e a sensação que dá é essa mesma, de que ele é uma pequena mola.

Não funciona muito bem, a movimentação não é muito responsiva ou agradável. Ele acelera meio que do nada e isso é ruim pra fechar as fases, você sempre está errando os pulos que servem para matar os bichinhos.

As fases em si sequer são brilhantes, nem ao menos muito boas. São ok, mas totalmente desinspiradas. São apenas locais genéricos e feitos meio que de qualquer jeito, apenas pra você caçar as bolotinhas e passar pra outra. Há algumas mudanças, como algumas com água (que são apenas armadilhas, ou seja, você não nada nelas), outras são um pouco mais longas, mas é tudo meio que igual.

Ao tomar dano, você fica "doentinho" e não se mexe direito

Outro defeito que praticamente mata a graça do jogo é que, ao tomar um dano, o seu bichinho fica meio que "doente" (adquire uma coloração esverdeada de "doença", como se fosse vomitar), e fica lento por uns cinco segundos. A ideia é que isso puniria o jogador por tomar dano, aí então ele seria estimulado a fazer tudo perfeitinho e não tomar esses danos. Só que não funciona e só deixa o jogo muito aborrecedor.

É diferente de outras "escolas de design", por assim dizer, que já ensinaram que, em jogos do tipo, você toma dano e deve virar "fantasminha". Pois é, é o oposto de Super Little Acorns 3D Turbo, que diminui sua mobilidade quando você toma dano e deixa-o vulnerável enquanto isso. Em jogos mais tradicionais de plataforma, você fica na verdade um tempo invencível e piscando (como um fantasminha mesmo), e isso significa que você pode sair da situação ou simplesmente até matar o bicho com as suas características invencíveis agora (provisórias, no caso). 

Ou seja, o jogo vai frustrando você o tempo todo, e como a movimentação já é cagada (é mal feita mesmo, não tem uma física "factível", tipo como o Mario), isso acontece com bastante frequência e tira a graça do jogo (que já não é muita).

É um jogo bem longo, tem muitas fases (ainda que todas sejam meio iguais), e uma versão extra depois que é o tal do "turbo", em que o bichinho fica supostamente mais rápido e aí você re-joga todas as outras fases, só que agora mais rapidinho. É pior ainda, pois aquela movimentação que já não era tão boa, consegue ficar ainda pior. E é tudo mais do mesmo, ou seja, é só um repeteco da primeira vez que foi jogada.

Mas ele tem um valor de replay alto, cada fase pode ser jogada de novo com outros objetivos, tais como: matar todos os bichos da fase, pegar umas frutinhas extras no final, ou correr para um speed run (com um tempo limite, pra você completar). Até que isso é um pouco interessante, mas como o jogo em si é chato, é apenas jogar a mesma chatice de novo.

Jogabilidade deslizante e pular como mola

Então, a moral da história é que o jogo é chato porque o bicho em si tem uma movimentação toda estranha. Não é agradável de fechar as fases por causa disso. Ele é, como já dito acima, todo meio "mola", pula e faz um barulhinho "poin poin poin", e é bem desagradável, é como se ele fosse uma borracha pulando. E, quando anda, parece aquelas fases do Mario com gelo, com diferença que aqui é sempre assim que ele anda (sempre meio deslizante, como se fosse o Michael Jackson fazendo o "moonwalk"). O personagem não tem peso nenhum, ele só é essa borrachinha meio pululante que não tem impacto nenhum no jogo nem em nada.

Diz a lenda que o Shigeru Miyamoto, principal designer da Nintendo e criador do Mario, pessoalmente supervisiona toda a movimentação "pura" do seu personagem, e gasta boas horas do desenvolvimento do jogo apenas monitorando isso. E deve estar certo, pois a graça da maioria desses jogos é os bichinhos se moverem just right, na medida certa. Tem que pegar e ser agradável de mexer, sentir medo se ele for cair em algum abismo (como se fosse uma coisa na sua mão caindo), ou seja, a movimentação do boneco tem a ver com certo valor afetivo que você desenvolve por ele. Isso não acontece aqui, você se sente desconectado do castorzinho pululador. 

O jogo em si até que é bonito, o uso do 3D é sutil e só dá uma profundidade leve pro jogo, e a apresentação dos menus é bem boa, com botões agradáveis e toda essa coisa. Até dá um certo prazer em jogar por conta disso, pois o jogo apresenta a si mesmo muito bem, por esses menus aí meio bonitinhos. Mas o resto em si é gritantemente genérico, como se fosse um jogo qualquer alugado por você para o seu Mega Drive em 1993, que fosse ok e até jogável, mas sem qualquer coisa digna de nota e esquecível já no próximo fim de semana. É assim o Super Little Acords 3D Turbo (ufa, que nome longo), um jogo esquecível e não lá muito agradável.

Fases engessadas e mal concebidas

Eu acho, na minha humilde opinião "cagadora de regra" (pois nem sou um designer nem nada, apenas um cara que mete a opinião em tudo), que o desenvolvedor do jogo foi ingênuo na hora de criar as fases. Acho que falta meio que uma "malandragem" no jogo. É um problema que você vê aí em diversos jogos, que transmitem as ideias que eles fazem no papel de maneira mecânica e engessada para o jogo, como se fosse um roteiro rígido de como as coisas devem ser feitas.

O próprio criador do Mario mais acima citado diz em uma entrevista (se um dia eu acho o link, posto aqui), que ele cria a primeira fase do jogo e depois bota o pessoal pra testar, aí o jogador do teste faz tudo diferente do que ele imaginou. E isso é bom. O dono do jogo é o jogador. O papel do desenvolvedor é dar elementos para que você, aos poucos, se sinta à vontade para aí poder fechar as fases de maneira improvisada e divertida, do seu jeito. Isso nem remotamente existe aqui. Você só tem um jeito de fechar as fases e pronto, o que rapidamente se torna bastante chato.

Um exemplo muito claro disso é como algumas plataformas mais acima são impossíveis de serem acessadas por um pulo normal. O cara que bolou a fase, é claro, não quer que você acesse por um pulo, quer que você faça de uma outra forma (pegue um caminho diferente, um item que dá pulão, etc), pra aí conseguir passar. Só que isso é engessado e extremamente chato. O jogo tem que permitir você andar por ele minimamente, pular e correr pela fase, improvisar, essa coisa toda. Em Super Little blá blá blá (ok, o jogo aqui em discussão), você sempre tem uma barreira para isso, a margem de movimentação pela fase é sempre curta e totalmente prevista pelo design inicial da tela.

Enfim, é um jogo esquecível, até ok se você não tiver muito exigente, e com bastante conteúdo para ocupar aí o seu tempo por muito tempo. Tanto que até hoje eu não fechei totalmente o jogo e tem coisa ainda pra abrir (se bem que o fato de o jogo ser chato pra burro não ajuda muito).

Nota do jogo: 2/5

Fiquei na dúvida se colocava 3/5 ou 2/5, pois na verdade é um joguinho bem jogável e pode divertir se você tiver em depressão profunda e literalmente qualquer coisa divertir você. Dá pra jogar, não é esse o problema. Mas resolvi bater o martelo. Ele é ruim mesmo. Só não ganha a nota mínima porque bem, de fato seria injusto, o jogo é mais ou menos bem feito para pelo menos você conseguir jogar normal. Mas não tem nada de mais, é só um joguinho genérico e mequetrefe, e pronto.

Também não tem essa de colocar "2,5/5", além de ser feio pra burro por um número quebrado assim na nota, é ficar muito em cima do muro, então a nota ficou no dois mesmo e já está muito bom. Se estiver muito barato lá na lojinha, talvez até dê pra arriscar, e aí você tenha uma opinião diferente da minha e goste do jogo, mas na sinceridade mesmo, não sei se vale muito a pena.

Vale também "destacar" (negativamente, no caso) a música e os efeitos sonoros do jogo. São todos muito ruins, com exceção de um tecladinho que toca, quando o nosso bicho morre. Achei que o teclado deu um ar meio cômico e patético (bem adequado, na verdade) a esses momentos, mas é um detalhe aqui muito irrelevante para alterar a qualidade. As outras músicas são bem ruins, umas músicas chochas e todas estranhas, parece que foram feitas sem qualquer vontade. Um jogo esquecível, ainda que jogável, em certa medida.

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