Lírou Quêiol en de Méd Bârds, disco de Little Quail and The Mad Birds
Está aí um dos discos mais bacanas, mais subestimados e mais desconhecidos do rock nacional. Trata-se de uma pequena pérola de um punk rock bem humorado e descompromissado, que vale a pena ser checado. Infelizmente esta banda não obteve sucesso comercial e se desintegrou após este e acho que outro disco só, mas vale a pena ser ouvida mesmo assim.
É uma prova de que sucesso comercial não quer dizer nada, tem muito som bom aí que se perdeu e ficou desconhecido por fatores totalmente externos, casualidades da vida ou simplesmente desinteresse das gravadoras. Aqui ele ficou perdido num vácuo (lá pelo começo dos anos 1990) que valorizava porcarias como Daniela Mercury e outras bandinhas de pagode e axé, enquanto o rock nacional se tornava mais comercial e ficava secundário em relação a outros ritmos.
Um disco imperdível e deliciosamente retardado
É isso aí mesmo, esse é um disco irreverente, com uma boa pegada, um peso e velocidade legal, mas sem aquela escrotice de um som hardcore demais (os vocais, por exemplo, são escrachados, mas jamais guturais). As letras não falam nada com nada e tem um ótimo senso de humor e nonsense. Uma das letras, por exemplo, diz apenas: "um, dois, três, quatro; e não tem cinco, não tem seis; parou no quatro!", o que é absolutamente genial.
Uma das faixas mais bacanas é uma cover punk do "Samba do Arnesto", canção clássica do Adoniran Barbosa, e que ficou aqui sensacional. Em outra música, eles zoam os italianos (imitando o sotaque e falando em "porpetones"), e em outras simplesmente cantam paixõezinhas adolescentes. No geral, é um rock direto, sem firulas, com letras bem sacadas e propositalmente bestas.
O som, no entanto, é um pouco repetitivo, e usa as mesmas bases do rock o tempo todo, com aquelas progressões de quem ainda está começando a tocar o instrumento e que são bem típicas. Então há um certo clichê nisso, mas que eles sabem trabalhar até que bem e que não fica tão chato.
Um momento interessante aí do rock nacional e que nem todo mundo conhece.
Nota: 4/5
Não vou me alongar muito na análise, porque esse não é um disco exatamente complicado, não tem grandes mudanças ou variações de estilo, é um rock bem rápido e tocado com bastante irreverência e com letras bem retardadas (bem mesmo). É como se um bando de moleque sem nada na cabeça e sem maturidade resolvesse fazer um disco só de zoeira, e acho que foi isso mesmo que foi feito aqui. O resultado, no entanto, é bem legal, o som ficou na medida dentro dessa proposta.
Apesar de a maior parte do som ser só o rock rápido mesmo (mais no estilo punk), há algumas surpresas, e o som varia em um e outro momento. A instrumental do início (uma música que se chama "Stock Car", o que parece fazer sentido mesmo não fazendo algum) é retardada, bobinha e viciante. Há uma pequena música sobre sexo (com alguns efeitos condizentes), dentre outros momentos que dão uma variedade à coisa. No geral, as músicas pegam fácil, são divertidas e cativantes.
Não é um disco para se filosofar muito, ou para se analisar profundamente, é diversão pura, com irreverência bem calculada, retardadice adolescente em sua melhor forma e puro descompromisso. E tudo isso tocado com um peso e competência bem bacanas. O relativo esquecimento do disco é um mero acaso da vida, ele está sem dúvidas no mesmo patamar de outros bons discos do rock nacional da época.
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