Quadra, álbum de Sepultura

Lá vou eu de novo com as minhas ingressões pelo mundo do metal extremo, apreciando aqui esta pérola da banda brasileira. Disco lançado este ano, o bagulho é intenso, caótico, porém é um caos controlado, sempre na beirada de sair do controle de si mesmo. Vamos aos detalhes do petardo sonoro do grupo mineiro.

O baterista é uma das coisas mais xaropes que eu já vi

Pois é, depois de gastar alguns clichês da terminologia sobre a música pesada acima, devo falar um pouco sobre a bateria desse disco. Parece que é um baterista novo aí que chegou nos últimos dois discos, e o negócio é doido, o cara toca rápido, bagunça tudo, faz mudanças muito rápidas e não dá pra entender nada. É bom! É uma loucura contida, que aqui no disco cai muito bem.

Já vi baterias mais xaropes na verdade, mas aqui o caos impera, bem como a intensidade. O sentimento passado é de feiura, desespero e ódio. Não é um disco que alivia para os seus ouvidos, aqui é porrada pura, uma sessão desse disco vai parecer que você foi espancado. Um prato cheio aí para quem curte o sadomasoquismo que é este gênero do metal.

Na verdade, há algumas variações interessantes. Em alguns momentos, há o acompanhamento de instrumentos eruditos (fazendo a música soar um tanto "sinfônica"). É algo presente em algumas faixas que adiciona uma certa "atmosfera". Confesso que o efeito pareceu mais banal pra mim do que deveria, o som soa muito "certinho" (como se fosse uma gravação só inserida na música), e ainda que adicione peso e a tal atmosfera, soa muito calculado. Deveria ter o som sinfônico entrando na bagunça também, ou soando mais "sujo" (se é que isso é possível).

Algumas músicas abrem para uma pegada mais melódica, principalmente na parte final do disco, e é uma mudança bem interessante. O Derrick (vocalista) para de urrar e até arrisca uns vocaizinhos um pouco mais normais. Mas são momentos mais raros, o que é até bom, e só serve para pontuar a coisa. Mesmo os urros funcionam bem em diversas faixas.

O disco é um pouco cansativo na primeira metade

Então, para quem está acostumado mais com esse tipo de metal, pode ser que soe muito bem, mas achei um tanto cansativo e repetitivo, o som é só um rock rápido e urrado, um caos completo sem qualquer melodiosidade ou harmonia, ainda que seja até interessante musicalmente (principalmente por conta da parte rítmica, que é muito elaborada), com o resto dos instrumentos dando o "climão" pesado. Mas cansa mesmo, principalmente se você está ouvindo com fones (recomenda-se, então, ouvir numa caixa de som de boa qualidade).

É um disco que, ao contrário do que poderia dizer nossa intuição, funciona melhor se você liga num som de médio para alto (no volume), e não um som totalmente alto, pois a intensidade sonora vai cansar demais e você vai querer simplesmente desligar essa coisa. Bom, isso para o ouvinte mais médio, porque para aquele fã de metal mais xiita, provavelmente ele vai querer ligar ao ponto de explodir toda a vizinhança dele, enquanto ele entra em convulsão ouvindo. Mas esse não é o meu objetivo.

Achei que o álbum fica mais interessante do meio para o final, com a parte de guitarras dando umas variações interessantes (soando quase "erudito" em algum momento), com mudanças na velocidade da música e com algumas músicas mais ao final soando mais melódicas, quase "românticas". Porém o que fica mesmo é o som caótico e bagunçado, sem grandes aberturas para uma sonoridade mais pop (ou seja, não é um disco que facilita pra você).

Uma boa porta de entrada para o metal extremo

É isso aí, acho que esse disco, se ouvido de uma maneira mais conservadora (em caixas de som com volume médio), pode atrair o ouvinte comum para este tipo de sonoridade, ou seja, pode ser um bom cartão de entrada para este amplo gênero musical. É um disco interessante pelo clima sombrio, peso sempre presente, violência, e musicalmente pelas mudanças na velocidade, nos andamentos e pela bateria absolutamente caótica e inovadora.

Muito adjetivo pra pouca merda, a real é que o disco enche o saco no começo (mas é legal em certa medida), e no final dá uma melhoradinha. Um disco certamente interessante aí, que foi bem elogiado pela crítica especializada (não que nós devamos nos importar com ela, mas tá aí). 

Não sou grande conhecedor da discografia do Sepultura, só conheço aquele famosinho com o índio na capa (e gosto até que bastante do disco), e uma ou outra coisa só, então não sei situar esse disco dentro da obra toda do grupo. Mas pelo que andei lendo por aí, parece que o pessoal andou gostando. Vale acompanhar.

Nota: 4/5

É um disco bom, musicalmente desafiador, principalmente para o ouvinte que não é inteirado nas grandes obras do metal (principalmente nessas versões mais extremas e rápidas). É claro que, em determinado momento, o cara vai parar e pensar assim, "puta que pariu, como esses caras tocam mal", principalmente nos momentos mais barulhentos e aleatórios. Mas pode ter certeza que cada nota ali é proposital, os caras são músicos competentes e poderiam fazer um som mais agradável se quisessem, mas a proposta aqui é gerar o caos e agredir mesmo. Trata-se, então, de uma opção consciente em termos estéticos.

Eu só não daria a nota máxima porque achei (eu, ignorante de metal) o começo cansativo e repetitivo, e sinceramente, teria dificuldade em distinguir uma música da outra, mas no final algumas das faixas se tornam mais interessantes, com partes instrumentais elaboradas e um tanto de melodia (num trabalho que, no geral, é praticamente anti-melódico). O negócio vai fazer seu ouvido pedir arrego, é realmente muito intenso, mas com um tanto de elaboração e coerência que pode agradar. É um disco muito bem amarrado e vale ser apreciado mesmo que não se seja um grande entusiasta do metal.

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