Meu balanço de leituras de 2020
Ok, um pouco atrasado com esse tipo de postagem (geralmente fazem isso mais pro final do ano), mas vamos lá. Só vou fazer um apanhado mesmo geral, sem compromisso, só mesmo para tentar refletir um pouco as coisas que eu li. Vamos lá.
Destaque do ano: Sybil, de Flora Rheta Schreiber
Esta foi, muito provavelmente, a melhor descoberta deste ano de 2020. É um livro, na verdade, dos anos 1970, contando a história de uma mulher com múltiplas personalidades. Livro excelente, muito bem escrito (jornalistas têm as manhas), consegue tratar um tema complexo de maneira muito tranquila e interessante. O livro não se perde em detalhes tolos e nem se enrola. E também não fica superficial.
Achei realmente muito bom. Um livro que pega uma mulher com 16 personalidades e consegue dar destaque a cada uma delas, sem que isso se torne confuso ou maçante, é algo digno de nota. Para mim, foi uma grande leitura.
Outro livro do qual eu gostei muito foi o 1808, livro histórico de Laurentino Gomes. Deixe-me explicar: não é um livro "histórico" no sentido de que ele é algo histórico, o tema do livro é a História. Entendeu? É isso.
Engraçado, os grandes destaques do ano foram livros escritos por jornalistas. Acho que tô sem saco para firulas estilísticas ou filosóficas dos autores mais "grandões". Um pouco de objetividade caiu bem.
Então acho que esses foram os dois livros aí que mais me agradaram e chamaram a atenção. São aqueles livros que realmente dava vontade de voltar e pegar de novo, só para ler "mais um pouquinho". Quando um livro é assim, é sensacional.
Decepção do ano: Trem Noturno Para Lisboa, de Pascal Mercier
Este livro, como diz aquela propaganda antiga, foi um "pé no saco, pequeno catorze". Meu Deus, mas que livrinho mais ruinzinho... não é realmente ruim, na verdade dá pra encarar legal (e muita gente gostou), mas ele realmente não empolga, não engata a leitura. Virou uma obrigação chata, só porque eu me senti obrigado a ver no que tudo ia dar (spoiler: não dá em nada).
É um livro escrito por um professor de filosofia, ou seja, um cara sem os pulos do gato dos seus colegas jornalistas, que escreveram os livros que eu elogiei acima. O livro se arrasta, mas se arrasta muito. Ele tenta aqui fazer algo no estilo da "Náusea", do Jean-Paul Sartre, mas sem a mesma habilidade deste. Ou seja... não dá muito certo.
A história consiste basicamente no seguinte: professor decepcionado com a sua vida resolve "meter o louco" e a fazer coisas aleatórias. Enquanto isso, vai lendo um livro de uma figura obscura portuguesa. E é isso. Livro que pode ser literalmente resumido em três linhas. Não acontece mais absolutamente nada (nada mesmo).
Pode-se argumentar que o legal da coisa é o trajeto em si, mas ok, mesmo isso não foi muito bem tratado. Fica muito claro como ele tenta imitar o Sartre naquele outro livro, mas ele não consegue fazer. No entanto, agrada quem busca uma filosofia levinha, para se "inspirar". Não é de todo ruim, mas é ruim.
Outro que me decepcionou foi uma ficção científica bem mequetrefe chamada "Armada", de Ernest Cline. História até que começa bem (no melhor clima "sessão da tarde"), mas também não vai pra lugar nenhum. Esse é mal construído mesmo, o livro realmente se perde do meio pro final.
Destaque negativo para "Xógum", de James Clavell. Um catatau de umas mil páginas que começa muito bem, contém boas descrições das paisagens japonesas, mas que não vai pra lugar absolutamente nenhum por acho que umas 700 páginas. Piratão acorda, toma seu café da manhã, dá em cima da samurai japonesa, e fim. Repita isso por umas trezentas vezes e temos o livro.
Eu ainda sequer o terminei, por isso nem resenhei aqui. Só vou terminar porque sinto uma certa obrigação em fazer isso, porque a vontade de pegar esse livro chega muito próxima do zero.
Balanço geral do ano: empatados
Pois é, li coisas boas e coisas ruins. Li menos do que queria ter lido. Nem mesmo a tal da quarentena do novo coronavírus me ajudou nisso. Eis que se inicia 2021 e um novo ciclo de leituras se inicia. Vamos ver o que vem por aí.
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