Impressões iniciais de "Power Up", novo álbum do AC/DC
Enfim saiu aí o novo álbum do AC/DC, o "Power Up", salvando um pouco deste ano maldito de pandemia. Realmente, melhora o bom humor saber que a banda australiana está lançando um novo trabalho, praticamente com sua formação clássica, e como sempre mantendo o seu som intacto.
Ouvi repetidas vezes o single "A Shot in the Dark", empolgado em ver Angus e companhia no videoclipe, e agora chegou a hora de acompanhar o álbum todo.
O disco saiu exatamente hoje (13/11) e pretendo aqui dividir um pouco das minhas impressões, sem a pretensão de fazer uma análise detalhada ou uma crítica qualificada.
(PS: após algumas audições, fiz um review mais completo! Para vê-lo, clique aqui).
Álbum bom! Mas ficou devendo um pouco...
Talvez tenha sido um otimismo bobo, eu achei que este seria um dos trabalhos mais sólidos do AC/DC, com músicas marcantes estilo o "Back in Black", mas aqui nenhuma música se destacou muito. O som é bom, o mesmo de sempre (o que, no caso desta banda, é bom), mas nenhuma canção deu aquele "click" na cabeça, talvez exceto o "A Shot in the Dark" e a excelente "Demon Fire" talvez possa também entrar neste rol.
É certo que AC/DC é um som que cresce a cada audição, e o trabalho pareceu bom o suficiente para que isso realmente aconteça. Mas, inicialmente, seria apenas desonesto eu dizer que me empolgou muito, com as músicas soando tudo meio igual e sem grandes destaques. O som, é claro, está executado à perfeição, com a mixagem no ponto certo, enfatizando as guitarras e o ritmo simples e viciante, característico deles.
Pois bem, acho que só isso que eu queria pontuar, o som está muito bom, mas talvez tenha faltado um "algo a mais", e tenho certeza de que essa opinião irá se alterar com as futuras audições, que vão dar um gás nesse disco e realmente dizer a que ele veio.
AC/DC é sempre bom, e se você discorda está errado
Ouvi muita gente, na melhor linha da pura cretinice, dizendo que o "mundo não precisa de um novo álbum do AC/DC". É muito difícil entender o cérebro corroído destes seres. Do que o mundo precisa? De pandemia? De presidentes fascistas? De tristeza, de amargura? Bem, um pouco de amargura é bom (pois a amargura pode levar ao sarcasmo, que é sempre bem vindo), mas pra esse ano chega dessa palhaçada, o som dos caras é o envelope perfeito para a gente ter um pouco de esperança nestes tempos tão desgracentos em que estamos vivendo. Fora que dá gosto ver sujeitos na faixa dos 70 anos empunhando um som tão jovial.
Apenas veja o clipe de "A Shot in the Dark" e a vitalidade do vocalista Brian Johnson, um sujeito no alto dos seus 73 anos, sem qualquer traço de velhice ou senilidade. É uma aula de rock aí para muitos jovens que não fazem ideia do que isso significa, ou seja, o AC/DC é sempre muito bem-vindo e obrigado.
Imagina só a situação: "Oi, me chamo Angus Young e quero fazer um novo disco com os meus amigos. E aí, o que você acha?". E aí o cara, que se acha grande entendedor do rock, diz: "não, obrigado... o mundo não precisa de um novo disco do AC/DC". Porra!! Por mim, enquanto o Angus tiver vivo, estarei consumindo os seus novos trabalhos, e com muito gosto...
Vivemos numa época em que pessoas idosas estão muito bem de saúde, então vemos lendárias figuras do rock de décadas passadas ainda inteiraços, entregando um som completamente digno e nada "museológico" (ou seja, ainda relevante para nós). Vide Paul McCartney e The Who, que continuam produzindo material novo muito bom. Então é um privilégio poder acompanhar, nesta nossa época, o trabalho dessas pessoas.
Então sim, o mundo precisa e sempre vai precisar de discos do AC/DC.
Ninguém sabe mais fazer rock e os velhos tem que ensinar
É um pouco de exagero, porque na verdade há muita banda de rock hoje boa, ainda que um pouco longe do mainstream. Mas o fato é que pouquíssimos conseguem entregar o som limpo e empolgante deles. O disco, então, é uma aula de rock, sem que isso seja uma metáfora. Muitas bandas hoje fazem um som bom, mas afundam a sonoridade numa produção equivocada, chocha, que não dá valor aos timbres de guitarra.
Aqui, as guitarras estão na sua cara, os riffs são bem altos e marcantes, ou às vezes apenas climáticos, compondo o som maravilhoso que a gente aprendeu a amar durante todos estes anos. Que grande gosto rever o AC/DC em grande forma. Disco para ser reverenciado. Aqui não tem mau humor, nenhuma teoria ou tese complicada, somente rock'n roll, com seu sentimento puro de alegria e um pouco de agressividade.
Muito bom, em tempos medrosos e cheios de bundamolismo, com todos medindo suas palavras para não machucar os delicadinhos egos em tempos de redes sociais. Um som de uma outra época, para a nossa época.
Nota da impressão inicial: 4/5
Pois é, a minha vontade é simplesmente dar a nota máxima pra esses caras, pois para mim eu avalio em grande medida o AC/DC e eu nem precisaria ouvir o disco para saber disso. AC/DC é uma daquelas coisas em que a racionalidade precisa ficar de lado. É um dos melhores sons já produzidos por este planeta.
Mas, para ser sincero comigo mesmo e com meus dois ou três leitores, digo que a audição inicial não foi lá muito empolgante (para ser sincero, inclusive fiquei impaciente um pouco, me desinteressando no meio dela), mas mesmo assim gostei muito, e tem umas três ou quatro músicas aí que são destaques e muito bem feitas.
Gostei especialmente de Realize (abre o disco muito bem, de maneira climática), Demon Fire e A Shot in the Dark, como eu já disse antes. Mas tem mais umas duas aí também que merecem destaque. Esse disco tem toda a cara de que ficará 5/5 com as futuras audições, então estou bastante otimista.
O disco é uma caixa de bombons do rock. Todos são meio iguais (como aquelas caixas sem outros sabores), mas todos são muito bons, realizados com competência. Mas, ao mesmo tempo, cada um tem uma característica levemente diferente, que merece ser apreciada com sutileza. Este é o som da banda, igual e diferente ao mesmo tempo.
Uma das melhores notícias do ano de 2020: AC/DC, "Power Up"!
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